quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Meus pensamentos natalinos


Fim de ano chegando. Para alguns, meio tenso por conta do suspense gerado pelo Calendário Maia ou por interpretações equivocadas sobre o tema.

Sabe, andei pensando. A gente devia mesmo se preparar para o fim do mundo. Do mundo que conhecemos hoje. Tantas vezes se pensa que o mundo como está não dá mais! A gente deve mesmo parar para refletir, pensar profundamente sobre nossa vida, sobre nossa atuação neste mundo que frequentemente nos deixa perplexos e chocados. Será que não é hora de dar cabo das coisas erradas do nosso modo de ser e do meio em que vivemos?

Esse suposto “fim do mundo” pode nos levar a recomeços transformadores.

Sim, há muita coisa que devia acabar. Depende de cada pessoa não mais se conformar, não se acostumar, não de adaptar às coisas como estão. Dalai Lama proferiu a histórica frase “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Reconstruir, reformar o mundo é fator urgente, a começar por nossa mente.

Jamais me esqueci da frase de Edmund Burke que ouvi ao final de um filme: “Para o triunfo do mal, basta que os bons façam nada”.

Talvez seja esse o tempo de por fim ao nosso mundinho egoísta, constituído por ações que visam somente ao próprio benefício. Tem que ser o fim da impassibilidade frente a realidades que a maioria considera normal.

É tempo de examinar, sobretudo, nosso próprio mundo interior. Abrandar as emoções negativas que, às vezes, causam tempestades devastadoras nas relações. Intensificar os bons sentimentos, dar mais lugar à compaixão, por exemplo.
Não dar vazão aos maus pensamentos, pois esses podem gerar atitudes catastróficas.

É tempo de se reinventar, de se refazer, de redescobrir nossa humanidade, nossa sensibilidade frente aos que sofrem qualquer tipo de privação de dignidade e respeito, seja pessoa, animal ou planta. É hora de mudar nosso olhar, nossa percepção e interpretação de mundo. É tempo de olhar para as necessidades alheias, resgatar o direito que todo ser vivo tem de não apenas viver ou sobreviver, mas de viver bem.

O mundo novo bate à nossa porta e quer lembrar-nos diariamente que, assim como nós, as outras pessoas e toda a natureza também querem ser felizes. Não posso aceitar um mundo em que as pessoas se importem apenas com sua própria felicidade. Isso faz parte do mundo que precisa acabar.

Tem que acabar esse mundo de maus hábitos que agridem o meio ambiente, como se não fosse extensão da nossa casa, como se não fosse nosso único lar. O preceito “o que é melhor e mais prático pra mim” deve ser substituído por “o que é melhor pra todos”.

Tem que ter fim essa sociedade de visão utilitarista, essa lógica que rege o capitalismo, segundo a qual se valoriza a pessoa pelo que ela pode produzir, e se tratam animais como se fossem coisas, objetos inanimados, tudo em nome do lucro e do sucesso nos negócios. Tem que acabar essa dominação do mundo por um ser humano que só busca vantagens e proveitos, explorando e extraindo da natureza e das pessoas tudo o que pode.

Está na hora de desenvolver uma nova consciência, uma existência que vá além desses parâmetros, uma prática que quebre paradigmas. O novo tempo nos desperta para vivenciar o amor e experimentar a essência da vida.

“O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta, mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da História.” Pensemos nisso. Feliz Natal! Feliz mundo novo!

 

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